[Resenha] Redimidas: Os contos das (princesas) vilãs desencantadas


Informações Gerais 

Título: Redimidas: Os contos das (princesas) vilãs desencantadas

Autoras: Ministério Corajosas 

Páginas: 400

Ano: 2025

Editora: Mundo Cristão 

Gêneros: Comédia, Drama, Família, Romance 

Onde ler: Amazon Kindle Unlimited 

Onde comprar: Amazon, Editora Mundo Cristão

Na primeira resenha literária do ano, vamos falar do livro “Redimidas”, das mesmas autoras de Corajosas. Nesta obra, as escritoras recontam 4 vilãs de contos clássicos que se redimem após o seu verdadeiro encontro com Cristo. 

Cada conto tem em média 100 páginas, sendo bem estruturado e cativante, trazendo consigo a importante mensagem de que a mentira, a inveja e a soberba não levam a lugar nenhum e, apenas com a nossa redenção e permissão para Cristo entrar em nosso coração, que estaremos salvos de nós mesmas. 

O primeiro conto, escrito por Queren Ane, reimagina a Rainha de Copas de Alice no País das Maravilhas que, nesta obra, se chama Carolina Reis, uma menina vinda de família cristã, porém muito arrogante, que se acha a melhor de todas as garotas de sua idade, e condena seus irmãos de igreja, pensando que eles são hipócritas, e se julga no direito de expor a hipocrisia alheia em seu blog de fofocas, cujo codinome de autora é Rainha Vermelha. 

Ela consegue esconder esse segredo por muito tempo, até ser finalmente descoberta por sua família e seu melhor amigo de infância, que tem o maior crush nela, mas só vive sendo esnobado! Carol achava que estava denunciando a hipocrisia, até descobrir que a verdadeira hipócrita era ela mesma, pois frequentava a igreja por obrigação, mas não vivia de fato o Evangelho, uma vez que seu coração estava corrompido pela ira, raiva e inveja. 

Como de costume da Queren Ane, Carolina tem o temperamento forte e determinada, mas, desta vez, age como uma vilã, querendo que seu plano funcione, até a verdade vir à tona da pior forma possível. 

Entretanto, por trás da menina marrenta e rebelde, existe uma garota carente de atenção, amor e compreensão. Os pais de Carol são os líderes do Ministério da Família da igreja onde frequentam, e se dedicam demais aos afazeres e eventos da igreja, além do trabalho formal, sem disporem de tempo para se dedicarem às filhas Carolina e Mirela. 

Sob este aspecto, vemos que às vezes, os pais também erram com os filhos e, muitas vezes, nos doamos tanto aos outros, que esquecemos de nossa própria família. Não adianta nada abençoar e aconselhar a família do vizinho se a nossa está aos pedaços e sem rumo. Deus olha cada atitude, principalmente o que fazemos com a mais importante instituição criada por Ele: a família. 

Quanto à Carolina, ela aprende que todo ato tem sua consequência e temos que saber lidar com elas. Nem tudo na vida será justo, pois o homem é falho, mas a justiça de Deus é plena, e sempre vem na hora certa! Portanto, fazer justiça com as próprias mãos nunca é uma boa ideia, pois, quando o ser humano age sozinho, sem a permissão do Senhor, a chance de algo CATASTRÓFICO acontecer, é imensa! 

Ao final, é bonito ver a família Reis reunida e perdoando uns aos outros, colocando tudo a pratos limpos e resolvendo as pendências familiares para começarem uma nova jornada com Cristo, como uma família harmoniosa deve ser aos olhos de Deus. 

E falando em FAMÍLIA, temos a nossa segunda protagonista, Stella Celeste, uma excelente aluna em Química e que deseja seguir esta carreira e conhecer o Professor Oz, da prestigiada Universidade Esmeralda. 

Entretanto, suas desavenças com sua avó, seus amigos e com Dora (uma referência a Dorothy), faz com que Stella seja tomada pela raiva, pela ira, sede de vingança, ciúmes, mentiras e pensamentos negativos. 

Neste processo, Stella conta com a ajuda de sua bela e sábia professora Glenda, que lhe apoia em seu sonho, mas lhe aconselha a agir da maneira correta, lhe fazendo pensar até onde vale a pena se arriscar por um sonho, se o meio do caminho é composto apenas de pecados e não de atitudes que agradam ao Senhor. 

Como sempre, Thaís Oliveira deixou o meu coração quentinho com as palavras acolhedoras de personagens secundários e com a redenção da própria personagem. O talento da autora fica explícito na maneira singela como ela elabora os conselhos e descreve sentimentos, trazendo uma reflexão válida, profunda, intensa e muito acalentadora aos leitores! 

Me surpreendeu a Thaís escrever sobre uma personagem negra, ao invés da Queren Ane, que foi responsável por duas protagonistas negras em Corajosas 1 e 2, mas achei interessante variarem um pouco, afinal, qualquer autora pode criar os personagens que quiser e considerar relevante. 

A Stella é a representação da Bruxa Má do Oeste que, originalmente, é verde. Claramente que não caberia fazer uma protagonista com a pele toda verde e teria que mudar a cor da pele da personagem, sendo inteligente retratá-la como negra, além do que, não enxerguei lacração, pois a personagem não é utilizada para militar politicamente e sim para trazer uma representatividade saudável tratando do tema da redenção em Cristo. Dito isso, eu amei esse conto (com um espacinho especial no coração reservado para a professora Glenda) que, entre tantos temas importantes, traz consigo a importância do perdão e do recomeço com uma nova oportunidade que se abre em Cristo. 

As cenas de Dora e Stella se perdoando uma à outra, foram emocionantes, tocantes e muito bem construídas, pois a Thaís realmente consegue atingir o emocional do leitor quando escreve! São momentos que ficarão guardados com muito carinho em meu coração, sempre quando eu precisar me recordar do quanto importante e libertador é perdoar o próximo, tanto os nossos inimigos, quanto os nossos irmãos em Cristo. 

Prosseguindo, nos deparamos com Raíssa Machado, a Rainha Má do Colégio Grimm. Rai, como é conhecida por suas amigas (ou melhor, puxa-sacos) , é a menina mais popular da escola, por sua beleza “perfeita” e boas notas, além de líder do trio mais bombado do Colégio inteiro, as Queens. 

No entanto, entra em cena uma garota nova, uma bailarina de sucesso e influencer de Instagram muito famosa, chamada Bia, que se torna o centro das atenções da escola, especialmente entre as garotas de sua faixa etária, de forma que Raíssa sente que sua popularidade e reputação está sendo ameaçada pelo brilho natural de Beatriz, passando a sentir inveja e raiva querendo se vingar dela e a prejudicando em um momento importante. 

Isso me lembra a relação entre Davi e Saul. Em certo ponto da narrativa bíblica, especialmente após Davi derrotar o filisteu Golias, ele se tornou popular e amado pelo povo de Israel, despertando a inveja do Rei Saul que se tornou louco a ponto de querer matar Davi a todo custo e quase matou seu próprio filho Jônatas, em duas ocasiões diferentes. Em contrapartida, Davi teve duas oportunidades de matar Saul, mas, ao invés disso, teve misericórdia dele, e o perdoou. 

Adaptando para o enredo desta obra, Raíssa se tornou invejosa, falando mal de Bia pelas costas, sendo falsa e elaborando um plano para prejudicá-la, mas, Bia, como uma boa garota cristã, e muito humilde, nunca fez mal para Raíssa, pelo contrário, enxergou qualidades nela e a perdoou por seus erros, lhe dando uma segunda chance de elas começarem uma nova jornada juntas; uma amizade verdadeira, sem mais mentiras, segredos e falsidades. 

Entretanto, temos que destacar um ponto importante: o fato de os pais de Raíssa passarem pano para ela e culparem os outros precipitadamente sem saber o que de fato ocorreu na escola. “Minha filha nunca faria isso”, eles pensaram. E eis aqui o problema: pais narcisistas geram filhos narcisistas, e bem piores que eles mesmos! Por isso, pare e pense sobre suas atitudes, pois é isso que você transmitirá ao seu filho, pois as crias são reflexos dos pais. 

Acontece que um narcisista sempre acha que está certo, não aceita ser criticado e sufoca os outros ao redor, como é o caso das amigas de Rai, especialmente Anaju, que, de tão boa, se deixava ser manipulada por Raíssa, mas, no fim, ela estava mesmo tentando ver se a amiga mudava de atitude, mas, como não aconteceu, Anaju cansou de ser capacho e se libertou desta situação. 

Por estas cenas vemos a importância de um relacionamento saudável e de uma amizade verdadeira. Quando uma pessoa coage outra a fazer suas vontades, isso não é amizade, isso é vaidade e egoísmo, pois alguém está querendo subserviência, e não lealdade e amizade, porque o verdadeiro amigo é aquele que discorda, alerta e aconselha. Quem concorda o tempo todo é só um passador de pano, mas está longe de ser um amigo fiel. 

Por fim, através da protagonista Raíssa Machado, aprendemos que a verdadeira beleza não está no exterior, mas sim, em nosso interior, em nossas atitudes, deixando Cristo trabalhar em nossa alma, ao invés de nosso ego. 

É incrível como a autora Arlene Diniz conseguiu tratar do tema da vaidade em seus diferentes âmbitos, dando profundidade ao enredo, e fiquei extremamente feliz quando soube de sua autoria para este conto em específico, pois, em Corajosas 1, ela recontou a história da Branca de Neve e, nesta coletânea, a mesma escritora deu voz à Rainha Má, vilã do mesmo conto! O tema da beleza em ambos os trabalhos, foi realizado com maestria e, neste, especialmente, Arlene aprofundou as relações interpessoais da protagonista, demonstrando com mais intensidade os impactos sociais. 

Como fã de carteirinha da Arlene, digo que este conto me impactou positivamente, me trazendo boas reflexões sobre a importância de alimentar a alma e amadurecer espiritualmente através de uma redenção real e profunda, ao encontrar Cristo em um momento inesperadamente maravilhoso, planejado e escrito por Deus. 

Por último e não menos importante, temos a história de Octávia (a única das quatro protagonistas que não possui sobrenome), que ganhou este nome por ter nascido em agosto, oito anos depois de seu irmão Tiago, o preferido da família. O nome Octávia, no entanto, também é inspirado na palavra Octopus (polvo em inglês), sendo uma referência ao fato de que Úrsula é um polvo gigante, no filme da Ariel. 

De todas as autoras do Ministério Corajosas, Maria Araújo é a que mais explora as nuances psicológicas de suas personagens. Em Corajosas 1, ela retratou como os maus tratos físicos impactaram Cinderela mentalmente e, em Corajosas 2, mostrou como o bullying escolar e a intolerância religiosa impactam na vida de uma adolescente. 

Desta vez, Maria Araújo traz uma protagonista psicologicamente abalada, em que os traumas e mágoas do passado interferem negativamente em seu presente, pois, a falta de perdão e a falta de saber como lidar com a própria tristeza, transformaram Octávia em uma garota rebelde, amargurada e egocêntrica, que sempre acha que ninguém a entende ou a ama, quando, na verdade, uma importante amiga lhe fez entender que ela já era amada por Deus desde o nascimento. 

E tudo isso por conta de um mal-entendido com sua mãe, que disse palavras horríveis em um momento de frustração, fazendo a menina pensar que era indesejada pela família, carregando essa mágoa por muitos anos seguidos e sofrendo em silêncio. Para disfarçar o sofrimento, ela passou a se vestir descolada, com roupas chamativas e maquiagem carregada, para ver se chamava atenção de alguém pela sua aparência, tamanha era a sua carência interior, mas isso não passava de um autoengano, pois seu coração continuava aos pedaços e só foi quebrantado depois que permitiu Cristo entrar em seu coração de fato. 

É muito tocante ver como Octávia se entrega a Deus e percebe o quanto outras pessoas também passaram pelo mesmo, ao abrir sua mente e sair de sua própria bolha mental, onde se escondia, pensando que só ela sofria. 

Às vezes, estamos tão envoltos em nossos próprios problemas que não pensamos em nada além disso, mas Deus coloca as pessoas certas, nos momentos certos, para abrir a nossa mente e nos entregarmos inteiramente a Ele. 

Graças a Deus, a nossa protagonista se regenera e perdoa seus entes queridos e, inclusive, ela mesma, por todos os seus pecados. As cenas entre ela e seu irmão Tiago — que lhe revela algo bombástico na reta final do conto — são extremamente lindas, tocantes e marcantes, sendo este o conto que mais me impactou emocionalmente e de forma positiva, a ponto de eu chorar enquanto lia e processava cada palavra contida nesta brilhante narrativa, que ficará guardada no fundo do meu coração com muito carinho! 

Para concluir, de forma geral, este livro é absurdamente intrigante, instigante, tocante e transformador, que, através de cada uma das autoras, cada uma com seu estilo de escrita marcante e único, tem impactado o imaginário e as almas de muitas jovens brasileiras, nesta geração tão carente de valores reais e da misericórdia de Deus. 


Esta foi a resenha

Espero que tenham gostado! 

Com muito amor, 

Rebeca Arimi 





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