Informações do Livro
Título: Meu Sol de Primavera
Autora: Queren Ane
Série: Chér
Volume: 01
Páginas: 304 (Físico) e 303 (Kindle)
Data de publicação: 22/01/2024 (Físico)
Editora: Mundo Cristão
Onde ler: Amazon Kindle Unlimited
Gêneros: Drama, Comédia, Romance, Escolar, Família, Young Adult, Cotidiano
Classificação indicativa: + 12
Confesso que da primeira vez que me deparei com esta obra, julguei ser adolescente demais, por trazer consigo uma das premissas mais comuns entre as meninas desta faixa etária: o primeiro amor aos 15 anos, atraída pelo garoto mais bonito e popular da escola.
Felizmente, era apenas a minha ressaca literária/doramática falando mais alto, depois de ler tantos livros e assistir tantos doramas com esta mesma temática. Quando dei uma segunda chance, percebi o quanto estava errada a respeito de minha primeira impressão sobre esta obra que, sob uma premissa simples, trouxe uma profundidade enorme, com uma carga emocional e transformação de mente bastante evidente e valiosa ao leitor, de forma que aprendi uma vez mais a não julgar um livro pela sua aparência, mas, por sua essência, arrependendo-me por não ter dado a devida atenção e credibilidade a este livro antes.
Entre risadas, coração apertado, lágrimas e amizades adolescentes, nos deparamos com a jornada transformadora de nossa mocinha Rochelle, mais conhecida como Chér, por seus familiares e amigos.
A garota é perdidamente apaixonada e atraída por Zack, o garoto mais lindo de sua classe e o mais popular da escola, ficando constantemente absorta em pensamentos sobre ele e querendo conquistá-lo a qualquer custo, prejudicando seu rendimento escolar, cuja maior dificuldade é a matemática.
Para conquistar seu crush, ela conta com a ajuda de suas amigas Bruna e Pilar que, apesar de estudarem em outra classe, têm a mesma idade de Chér e são suas fiéis escudeiras, principalmente Pilar, a mais romântica das três.
No entanto, esse excesso de romance na cabeça de Pilar possui um motivo bem mais profundo: seus pais apenas brigam e estão em um processo de divórcio. Não sabendo lidar com a tristeza e a solidão que sente por não ter ninguém que a entenda em seu cotidiano, a garota se aproxima de qualquer menino de sua idade e acaba não vivendo um relacionamento intenso e real, pois apenas deseja uma felicidade passageira, sem compromissos, por medo que sua vida amorosa acabe como a de seus pais, caso ela se apegar a alguém seriamente.
No fundo, Pilar representa o tipo de pessoa que não sabe lidar com frustrações e desconta naquilo que mais lhe dá prazer, sem se dar conta que viver de prazer é a maior prisão em que podemos nos enfiar, para não mais conseguir sair dessa órbita.
A garota representa também, aquela alma que precisa MUITO ser salva por Cristo para suprir o vazio que tanto lhe aflige, mas se recusa a conhecer a Cristo por preconceitos a respeito dos “crentes” e que não aceita sair da sua zona de conforto, em que tenta encontrar em seus lazeres e hobbies uma forma de extravasar suas mazelas interiores.
Em contrapartida, Rochelle (ou Chér, para os íntimos), representa a menina que encontra em Cristo sua verdadeira identidade, após conhecer Luciano, Talita e Tábata. Com eles, ela aprende que devemos ser quem Deus nos preparou para ser, ao invés de se importar com o mundo.
Chér aprende também, o verdadeiro significado de pertencimento, tão comum durante a adolescência. Quando estava com Bruna e Pilar, sentia que “pertencia” a um grupo de amigas da mesma idade, com os mesmos dilemas, porém, com objetivos, valores e cosmovisões completamente distintos, enquanto que com os amigos da igreja, percebeu que pertencia a uma família espiritual — um grupo de pessoas com histórias diversas, mas com um mesmo objetivo: encontrar a Cristo e se entregar a Ele todos os dias, reafirmando suas identidades como Filhos do Senhor.
É lindo ver o amadurecimento espiritual da mocinha e como ela lida com sentimentos negativos em seu coração, depois de descobrir que seu primeiro crush era um verdadeiro babaca.
Foi bem doloroso ver a Chér sofrer por conta do Zack, sofri junto com ela e tive empatia por sua situação. Neste contexto, as cenas de consolo da mãe dela, tão cheias de amor e sabedoria, me emocionaram.
A mocinha possui uma relação complicada com sua mãe, que se sente carente pelo fato de a filha não se abrir com ela devidamente, pois Rochelle pensa que todas as vezes que a mãe se aproximava para conversar, era para dar uma bela bronca, mas, nem todos os momentos eram assim: na maioria deles, ela apenas queria se aproximar de Chér como uma mãe-amiga, e não como uma mãe general.
É bonito ver as duas se entendendo melhor ao longo das páginas, pois realmente amadureceram a relação. Quanto ao seu pai, a garota deve enfrentar um pai super preocupado (até demais com ela) e que teme o primeiro verdadeiro amor dela, ainda mais depois de ter o seu coração partido por Zack.
Devo dar os holofotes à avó materna da mocinha, sempre tão viva, lúcida, com conselhos sábios em momentos de tribulação, mantendo a fé em Deus e o pensamento positivo em suas ações. É o tipo de vovó que cativa qualquer um!
Finalmente, com relação às suas notas escolares e a tão sonhada viagem de férias com suas amigas, Chér toma juízo e consegue conciliar os estudos, a amizade, os cultos e a família, encontrando o equilíbrio em Deus Pai.
Sobre o que acontece nestas férias, é assunto para a próxima resenha! Por ora, espero que os leitores possam extrair o máximo que esta obra tem a oferecer, pois, através de dilemas simples da vida cotidiana, nos traz profundas reflexões sobre a nossa real identidade em Cristo.
Um beijo,
Com carinho,
Rebeca Arimi

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